terça-feira, 17 de novembro de 2009

Análise precisa da atualidade brasileira

Transcrevo aqui algumas impressões de Darwin, escritas a quase 200 anos, em relação a nós, brasileiros, pois infelizmente concordo com o que diz em gênero, número e grau, mesmo não sendo eu tão fiel à sua teoria da evolução e achando o dito cujo um aristocrata inglês um tanto quanto marrentinho:

"Não importa o tamanho das acusações que possam existir contra um homem de posses, é seguro que em pouco tempo ele estará livre. Todos aqui podem ser subornados. Um homem pode tornar-se marujo ou médico, ou assumir qualquer outra profissão, se puder pagar o suficiente. Foi asseverado com gravidade por brasileiros que a única falha que eles encontraram nas leis inglesas foi a de não poderem perceber que as pessoas ricas e respeitáveis tivessem qualquer vantagem sobre os miseráveis e os pobres. Os brasileiros, até onde vai minha capacidade de julgamento, possúem só uma pequena quantia daquelas qualidades que dão dignidade à humanidade. Ignorantes, covardes e indolentes ao extremo; hospitaleiros e bem-humorados enquanto isso não lhes causar problemas; temperados, vingativos, mas não explosivos; satisfeitos com suas personalidades e seus hábitos, respondem a todos os comentários perguntando 'por que não podemos fazer como fizeram nossos antepassados antes de nós?"

E ainda:

"Se ao que a natureza concedeu aos Brasis o homem acrescesse seus justos e adequados esforços, de que país poderiam jactar-se seus habitantes? Mas onde a maioria está ainda em estado de escravidão e onde o sistema se mantém por todo um embargo da educação, fonte principal das ações humanas, o que se pode esperar a não ser que seja o todo poluído por sua parte?"

Será que alguém mais conseguiu identificar alguns acontecimentos cotidianos na reflexão darwiniana sobre nós?

5 comentários:

titof. disse...

cara pensar sobre "O Brasil" é foda num resumo rápido do que eu acho... a culpa de tudo é nossa, que so fala, faz protestinho de merda no tweeter, mas ir pras ruas e exigir ada... a solução é "forjar" um Brasil novo regado a muito sangue azul de "colarinho branco" e chumbo...

Eduardo Stuart disse...

Concordo plenamente. Uma vez um tio meu me disse uma coisa que achei um absurdo na época, mas que depois comecei a refletir e ví que ele não estava tão errado. Ele disse que o Brasil só está do jeito que está porque nunca houve uma guerra aqui, então o povo não sabe o que é lutar pela própria vida ou, melhor, lutar pelos seus ideias sociais. Mesmo sendo 100% contra guerras, acredito que nosso atual nível de evolução humano ainda requer a resolução de certos problemas através da violência.

Titof disse...

é sobre isso mesmo que vc falou, sem guerra civil e sem exemplo de o que é lutar pelo o que é nosso , pela falta de exemplos e heróis que nos sofremos de um comodismo exagerado que fala da "merda" na mesa do bar na sexta e na segunda abre um sorriso amarelo pro safado de novo...

Eduardo Campagnoli disse...

Cara, acompanhando Darwin nessas palavras aí, você vê realmente como nossa sociedade era e ainda é. Mas jogar toda a responsabilidade da confusão que vivemos no povo do país não é justo. E se é justo, não podemos reclamar, porque, de certa forma, nós (eu, tu e o restante todo) somos intrusos aqui. Como Oswald de Andrade pregava, comento aqui que o Brasil era Brasil antes da Europa invadir. Hoje, o Brasil não é Brasil. Talvez por isso achemos a sociedade aqui tão absurdamente mesquinha. Ela é o reflexo de nós mesmos no espelho. Uns defloradores maus de antigas terras virgens.
E quanto às guerras, concordo. Só acrescento que aqui já rolou matança oficial, sim. Lá pro Pará e pros sertões do Nordeste, a gente é que não é muito informado sobre isso mesmo. Sem contar a batalha Portugueses x Índios, né?

Eduardo Stuart disse...

É, acho que quando ele diz brasileiros ele está se referindo ao povo que ele encontrou aqui, ou seja, imigrantes europeus de diversas partes e, principalmente, de Portugal que vieram pra cá com a missão de explorar as terras aqui encontradas e mandar matéria-prima e recursos obtidos para a coroa, Portugal. Eu, quando me refiro ao nosso povo, estou me referindo a nós, brasileiros, descendentes de índios dizimados, negros escravizados, ladrões europeus e outros grupos não muito bem intencionados em relação ao desenvolvimento de uma sociedade racional, que busque o equilíbrio e a igualdade para todas as raças aqui estabelecidas. E se nós somos eles, se nós somos os descendentes deles, então nós somos os negros, brancos, mulatos, índios, mamelucos, caboclos, cafuzos e etc, que compõem esse país e que são responsáveis diretos por tudo o que acontece aqui. Se não é nossa a culpa (do povo brasileiro), então de quem é? Dos políticos? Os políticos somos nós. Dos americanos? Dos imperialistas? Dos portugueses?
E discordo quando o Asfalt de Andrade diz não sermos mais Brasil. Lógico que somos. Somos o que somos, evoluimos com o que passamos (ou não), fizemos nossas escolhas, fomos colonizados... Como não poderíamos ser o Brasil? Pensando nessa lógica nenhuma país é ele próprio, já que todos passaram por invasões, saques, colonizações, influências eternas. Nossos índios (nós) não batalharam contra a invasão portuguesa, eles foram chacinados, é diferente. Não houve nenhuma espécie de chance e éramos ludibriados com presentes e "lembrancinhas" européias...

Isso tudo faz parte da nossa história de país e faz sermos o que somos. O problema, pelo menos a meu ver, é continuarmos agindo da mesma maneira mesmo depois de tantos anos, provincianamente, assim como Darwin pôde analisar a 200 anos. Ninguém é santo nesse planeta, muito menos os ingleses, mas que ele teve no mínimo uma crítica realista ele teve.