segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Hoje recebemos aqui na redação do SSFL uma carta de um leitor do blog que diz estar perdendo as esperanças de viver por causa de um vício que estaria acabando com sua vida. Não sou um cara de fazer muitas caridades não, mas o caso desse leitor parece ser sério e resolvi postar. Quem quiser dar uma força pro cara, dar alguma sugestão ou deixar uma palavra de apoio, escreva um comentário, antes que seja tarde demais...


" Caros amigos do Skate Sem Fins Lucrativos (amigos não porque nem conheço vocês), estou escrevendo esta carta porque estou desesperado. A alguns anos atrás comecei a fazer coisas que hoje vejo terem sido prejudiciais a minha integridade física e mental. Tudo começou no início da minha adolescência. Naquela época já não gostava de fazer muitas coisas a não ser tocar punheta e ouvir música. Tudo pra mim parecia ser errado não dava valor à maioria das pessoas. Pode parecer coisa de adolescente, mas não era. Eu era muito pior do que a média das pessoas da minha idade. Não me interessava por esportes, por festas, por quase nada.

Foi nessa mesma fase que comecei a andar de skate. E de uma hora pra outra comecei e conhecer um mundo fora do eixo escola-casa que era acustumado. Comecei a andar lado a lado com pessoas de diversas classes sociais mas que não se encaixavam na sociedade como a gente conhece. Conhecí negros, brancos, tímidos, extrovertidos, mendigos, tiozinhos muito doidos de cachaça e muitos outros indivíduos que se identificavam entre sí pelo fato de não se identificarem com o resto das pessoas "normais". Experimentei algumas drogas. Achei algumas boas, outras ruins, outras uma merda. Comecei também a evoluir em alguma coisa na vida que não fosse a quantidade de punhetas batidas num mesmo dia. Essa coisa era o skate. Comecei a me dedicar ao máximo à essa única coisa que fazia sentido (ou a única coisa que não fazia sentido) num mundo controlado por filhos da puta de terno e gravata que não sabem realmente o que rola no dia-a-dia das ruas.

Os anos foram passando, meus amigos do colégio começaram a sair na night pra comer as vagabundas e eu não conseguia fazer outra coisa que não fosse andar de skate. Nas conversas com esses amigos me sentia deslocado por não poder falar que tinha "pegado" 47 mulheres numa noite porque nesta mesma noite eu estava sujo, suado e feliz conversando sobre a vida com um digão após uma sessão de horas e horas nas ruas da minha cidade. E isso nem me incomodava muito, porque enquanto eles falavam eu só estava pensando em voltar naquela escadinha e conseguir descer ela de kickflip. Zueiras e zueiras perdidas, bucetas e bucetas deixadas de serem desbravadas, ressacas e ressacas não vividas e eu ali, andando de skate, dia-após-dia, hora-após-hora. Perdendo o sono na hora de dormir pensando em possibilidades de manobras a serem executadas no dia seguinte. Perdendo ano no colégio, fazendo minha mãe ficar mais enrugada que o normal e meu pai mais careca do que os outros pais (se fudeu).

Agora, nos meus vinte e poucos quase muitos anos, me vejo num beco sem saída. Estou ficando mais velho e já deveria ter me adaptado à essa vida normal mas mesmo assim cada dia penso mais e mais em skate, quero mais e mais andar e continuo perdendo o sono por causa disso. Não consigo estudar porque me pego pensando em skate toda a vez que tento ler algo. Não corro atrás de um emprego porque ficaria sem tempo pra andar de skate. Quando arrumo um trampo fico deprê por não estar andando de skate e estar dando meu suor pra algo que não seja o skate. Não vejo graça em sair com os amigos porque quando saio bebo e a bebida me faz pensar que estou perdendo tempo alí, sem estar andando. Não vejo graça em ver tv porque não passa nada de skate. Não vejo graça em droga alguma porque o skate já me deixa mais feliz, excitado, extasiado, chapado, destruído do que qualquer outra. Não consigo trocar idéia com alguém na sessão porque me faz esfriar entre uma tentativa e outra. Enfim, não consigo ver o mundo sem ser com a única vontade de passar com meu carrinho por cima de todos os picos skatáveis dele. E não consigo entender o mecanismo de uma sociedade que não seja liderada por um skatista e não consigo me encaixar em nada que não seja relacionado ao skate. Dá pra ter uma noção do que é viver assim???

Enfim, temo que um dia eu seja um desses carinhas mendigões, todo fodido, andando pelos acostamentos das estradas porque só queria andar de skate e acabou que não conseguiu uma maneira de obter dinheiro pra manter o seu vício. Peço ajuda, de quem quer que seja, antes que isso aconteça e eu não possa mais fazer a única coisa boa nessa vida injusta: ANDAR DE SKATE!"


Caso alguém se solidarize com nosso amigo, há uma conta para doações em seu nome.

Eduardo de Mazza Pessanha
Banco Bradesco
Agência: 2580
Conta Corrente: 5077-6

PS: Quero deixar bem claro que o fato do nome do leitor ser exatamente igual ao meu é mera coincidência...

12 comentários:

Campagnoli disse...

Eu achei que o leitor era tu, mas não. É só o tal do Eduardo aê, né, Stuart?
A princípio, a carta parece uma estória triste. Mas eu prefiro virar um mindingo (EU GÓDI C MINDINGO) do que abandonar o skate.
Por isso, bora filmar e ir nos champ ae!!!!!!

Desabafos e teorias disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
marcosalmino disse...

postagem genial cara!!!me identifiquei demais.ahauheue

Gregori Alecrim disse...

vamo fazer uma conta conjunta!
abrir um grupo de ajuda!
eu pilo!

Stu disse...

U-lala-la-la-ra-la-lala!!!

mlkindoidu disse...

muito comovente a historia
mais é issu ae ...
td tem seu preço!

Rennê Nunes disse...

Acho que você deve trampar com a gente aqui na PENSE SKATE.
Você se enquadra no perfil da empresa....

Stuart disse...

Esse comentário acima do meu mostra que ainda existem almas caridosas neste mundo! Ao invés desse jovem apenas fazer uma doação ao nosso pobre leitor desesperado (dar o peixe), arranjou-lhe uma oferta de emprego (ensinou-lhe a pescar)!
Mesmo assim, continuamos aceitando doações de todos os tipos e, de preferência, em dinheiro...

sucker disse...

depois os cara fala ai que eh sem fim lucrativo!
mo ko! os cara ta tudo ficando milionario aiiiii!

sugar acid disse...

eu vou ajudar com uma quantia de...
um jogo de rolamentos.

Em alguns momentos eu me vi nesse relato.

Isso É SKATEBOARD!

Anônimo disse...

Blza Stuart?
Como de costume todos os dias navego à procura de assuntos sobre
SK8. E acabei trombando com o seu
blog. Meu. Estou iniciando o SK8
somente agora aos 38 anos. Sou meio
que tiozinho aqui num clube de SP,
onde quando posso dou umas quedas.
Estou ainda tentano o Ollie, mas
já tá dando sinal de vida. Legal o
seu depoimento sobre a sua vida no
SK8. Também estou conhecendo galera
de várias classes sociais. A maior
parte deles são humildes, mas não
tem preço o caráter, o respeito e
o companheirismo que estou receben
do por parte deles. Nota 10!.
VLW............

Anônimo disse...

é cara, arranja um trampo meio-período pelo menos... pois infelizmente,
seus pais não vão estar aí para sempre hehe
falow