quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Entrevista Guy Mariano

Faaaaaaala galera!

Após um longo período de inatividade total do blog, volto a postar algo que é digno de um retorno brilhante! E o tema dessa postagem é justamente sobre retornos. E não só um retorno qualquer, mas o retorno de uma lenda viva do skate: Guy Mariano.

Pra quem se perguntava por onde ele andava, se tinha parado de andar ou não, e para aqueles que talvez nem o conheçam, coloco aqui uma tradução que eu fiz de sua entrevista na Transworld Skateboarding de Fevereiro desse ano (que também conta com uma reportagem style sobre o Fabrício dos Santos, the Breeze ou Cara-de-Sapo). A entrevista é bem legal e esclarecedora quanto a algumas dúvidas que tínhamos sobre o paradeiro do skatista. Pra quem já leu a entrevista e acha que eu errei alguma coisa na tradução, vá logo se fuder e não me enche o saco...








“Profissional em foco, Guy Mariano” (Eu quero você de volta)

A vida é, invariavelmente, uma série contínua de altos e baixos. Pra alguns de nós, um dia ruim é quando o nosso time favorito perde uma partida. Para outros, um dia ruim é aquele em que não temos comida pra pôr na mesa. Não importa a matemática usada nos seus “mais” e seus “menos”, são poucos de nós que tem uma vida como um mar de rosas. O Guy Mariano é um indivíduo que tem observado as reviravoltas de sua vida através dos anos. Ele é um cara guerreiro, que amadureceu com o tempo, que se mantém recluso e que tem aprendido com a experiência. Ele também é conhecido por muitos como uma das pessoas mais talentosas que já pisou num skate. A seguir, uma transcrição de sua primeira entrevista por telefone.





Você parece nunca querer repetir alguma coisa no skate. Isso é um fator motivacional pra você?

Eu definitivamente gosto de tentar coisas novas. Eu tenho aquelas manobras na base que eu acabo mandando repetidamente, mas em algumas sessões eu tento apenas mandar uma coisa nova e excitante pra mim, não importa quanto tempo ou quantas vezes eu tente. Eu acho que tem a ver com você querer sempre fazer o melhor possível, não importa o que você faça.

Como vocês – Rudy Johnson, Gabriel Rodriguez, Paulo Diaz e você – se sentiram sob a direção do Stacy Peralta no Ban This (1989)?

Eu ainda piro nisso. Eu não acho que estaria onde estou hoje em dia se não tivesse trabalhado com o Stacy naquela época. Muitas pessoas ficaram me conhecendo por aquele vídeo. Quero dizer, foi a minha primeira exposição real. Foi divertido porque a gente filmou aquela parte toda um ano antes do vídeo ser lançado, e na época que o vídeo tava quase pronto, todos nós queríamos re-filmar e tudo porque a gente já tinha aprendido várias manobras novas. Eu me lembro do Stacy jogando um balde de água fria na gente e explicando que você não pode ter amadores que mandem mais que os profissionais, então a gente se conformou com o que a gente já tinha. Aquilo foi muito engraçado, o Paulo e o Gabriel tavam mandando tanto que eu achei que o vídeo não fazia jus ao nosso role, mas a gente também não deu tanta importância a isso na época. O Stacy fez aquilo parecer tão justo que nós aceitamos.

Como que o Steve Rocco ou o Mark Gonzalez te tiraram da Bones Brigade?

Eu e o Rudy estávamos andando direto com o Mark. Eu não acho que tenha algum outro motivo maior, mas a gente tava junto direto e também morávamos na casa dele na época.
Nós já estávamos usando todos aqueles produtos e já estávamos com a vibe da World Industries, e o Stacy já tinha deixado a Powell, então a gente nem tava mais falando com o pessoal de lá. Aí, o Mark então nos contou que ele estava começando seu próprio negócio. Eu me lembro de uma noite que eu tava com o Rudy e ele me disse: “Aí, eu tô andando pela Blind agora. Acho que você devia entrar também”. E eu só tava tipo: “Beleza, então acho que tô dentro”. Então, se eu tivesse que dizer, diria que foi o Rudy que me recrutou! (risos).

Você imaginava que 16 anos depois as pessoas continuariam falando sobre isso, depois daquela parte sua no Video Days (1991)?

Não. Eu não achei que seria nada tão importante. A única coisa que tenho a dizer sobre o Video Days é que a parte do Jason Lee foi muito foda e tudo mais, mas vendo ele andando ao vivo naquela época você via que ele andava muito mais do que o que aparece na parte dele. Ele não era o tipo de skatista que carrega um câmera pra todo lado. Ele sairia de madrugada só pra dar um role de skate , e eu vi aquele cara mandando umas paradas muito fodas e nem tudo saiu naquele vídeo.

O que foi aquela camiseta Powell “Supreme” vermelha no Video Days? Eu já ouvi várias teorias da conspiração bizarras sobre o assunto.

Cara, eu simplesmente gostava daquela camisa. É muito engraçado como as pessoas inventam várias razões pra isso. Naquela época, você ainda podia vestir qualquer camisa sem que o seu Team Manager te ligasse pra dar esporro. Eu só gostava dela – ponto. Era uma camisa boa. Ninguém ficou “magoado” com isso. Bom, talvez tenha sido vacilo, mas nós éramos jovens e não fazíamos nada com a intenção de prejudicar a indústria (do skate) ou alguém.

“Naquela época, você ainda podia vestir qualquer camisa sem que o seu Team Manager te ligasse pra dar esporro.”








“O switch 360 kickflip? Essa eu vou ter que deixar pro Rodney Mullen.”


O que aconteceu com o railslide (rockslide, no Brasil) descendo o corrimão do Beneficial no final da sua parte?

O que aconteceu foi que eu pensei que fosse cair de saco, comecei a tentar sair no meio do slide, tentei chutar o skate pra longe e, não sei como, ele caiu bem embaixo dos meus pés. Então eu venho na direção da câmera e tava tentando dizer: “ Eu ia pular pra fora”, mas tava com tanto medo que acabou saindo: “Eu não, eu não, eu não...” (risos).

Como você se sentiu andando com o som do The Jackson Five?

Aquilo foi idéia do Mark. Eu me lembro dele dizendo assim: “Eu quero que você ande de skate pro Michael Jackson.” E eu: “O quê?!!” Mas acabou ficando bom. Quer dizer, o Mark tá sempre à frente do seu tempo em tudo, inclusive em escolher uma música pra um vídeo, tanto que depois disso todo vídeo tem uma trilha sonora com músicas antigas. O Mark e o Spike (Jonze) estão sempre à frente de seus tempos. Tudo que eles fazem acaba sendo feito por todo mundo depois.

Quando foi que você acertou seu primeiro switch 360 kickflip? Qual foi o processo mental por trás disso?

Eu tenho que dizer, provavelmente foi o Rodney (Mullen) que mandou primeiro. Nós costumávamos fazer as tours da Blind com o pessoal da World juntos, e eu tenho quase 100% de certeza que ele acertou primeiro. Ao mesmo tempo, eu estava andando muito de solo com o Henry Sanchez – ele tava morando na casa da minha mãe nessa época e a gente tinha uma transiçãozinha na calçada na frente de casa. A gente passava horas e horas tentando aprender as manobras ali. O Henry provavelmente acertou tudo antes de mim. Então eu me esforçava em mandar as que ele não acertava tanto, ou que escolhia não mandar tanto. Mas o switch 360 kickflip? Esse eu vou ter que deixar pro Rodney Mullen.

Quais são suas melhores lembranças da época do skatepark da World?

Acho que o Tim Gavin e o Matt Schnurr tacando o terror! As coisas mais absurdas aconteciam ali – roubar madeiras do estoque de produtos, praticamente de tudo pra emputecer o Rodney e o Steve Rocco (risos). Eu me lembro de uma vez que a gente tava indo pra San Francisco e o Rodney perguntou ao Schnurr se ele queria ir também, e ele falou: “ Claro!” Então o Rodney comprou uma passagem só de ida pra ele. Naquela época o Schnurr era patrocinado pelo Tim Gavin (risos). Ele também morou na casa da minha mãe uma época e eu só me lembro que ele sempre tinha mais peças e mais dinheiro do que eu. Ele era mó enrolão!


Onde estão aquelas filmagens, tipo aquela do tailslide kickflip out naquela borda gigante que tinha numa seqüência em um anúncio dizendo pra gente prender o fôlego para o vídeo completo da Blind?

O que aconteceu foi que a gente teve que tirar um monte de filmagens do vídeo inteiro, incluindo da parte do Tim and Henry (1992) – escolhendo o que nós achávamos que fossem as melhores filmagens já que o Mike Ternasky veio ver o vídeo e disse que como o Tim e o Henry tinham muitas manobras, a gente tinha que ceder pra eles as partes principais e ficar só com umas duas ou três manobras pra cada um. Ternasky era um cara muito bom e que tinha uma cautela muito grande em relação aos vídeos de skate, então a gente só ouviu o que ele tinha a dizer. Acho que o resto das filmagens simplesmente foram deixadas de lado.


“Algumas manobras você manda de switch e não manda de base normal – será que elas são realmente de switch?”


O Socrates continua com as partes completas de vocês?

Duvido. Bom, eu não sei. Eu sei que tinham filmagens de todo mundo – do Brian Lotti, do Rudy e minha. Eu tenho quase certeza de que o Socrates tá fazendo um vídeo agora, tipo uma retrospectiva dos anos 90, então, talvez, finalmente ele lance as filmagens.

É de propósito que você não tem nenhuma manobra sem ser de switch na parte de amigos do Virtual Reality da Blind (1993)?

Não, eu acho que foi porque na época andar de switch era a coisa mais foda e eu provavelmente tava empolgado com isso. Switch é divertido as vezes. Algumas manobras você manda de switch e não manda de base normal – será que elas são realmente de switch? Eu não mando 360 kickflip, então meu switch 360 kickflip é o meu de base normal.

Quem foi o primeiro a te introduzir à Girl?

Rick Howard. Eu me lembro que a gente tava andando de skate na Macy’s, no Oeste de Hollywood e ele me disse que ia começar a Girl. Eu fiquei com um pouco de medo no início. Na Blind eu era apenas uma criança, então eu nunca tinha sentido essa preocupação. Mas com o Rick... Eu acho que já estava ficando um pouco mais velho e tudo parecia tão sólido na World que a idéia me pareceu um pouco arriscada. Eu pensava: “Ele pode fazer isso? Ele pode tocar uma companhia e fazer dar certo?” Eu acho que foi por isso que o Henry Sanchez não entrou. Era pra ele ter entrado, mas ele acabou ficando na Blind mesmo. Obviamente, olhando para trás, foi uma grande decisão e uma grande oportunidade pra mim, mas no início foi bem difícil. Eu me lembro do Rick e da Megan (Baltimore) embalando caixas e nós estávamos dividindo um galpão com a X-Large (companhia de roupas). Mas no final a X-Large pulou fora e tudo deu certo.


O Kareem Campbell foi chamado também?

Eu acho que ele foi chamado pela Chocolate, mas ele e o Rick não concordavam em muitas coisas. Fora isso, foi uma grande oportunidade pro Kareem porque deu a ele mais base pra ele realizar seus projetos com a World, como a Menace e a Axion.

Depois do Video Days e sem nenhuma parte inteira por 5 anos, você se esforçou pra fazer a sua parte no Mouse (1996) ou só meio que aconteceu?

Na época eu não estava andando muito com a galera da Girl. Eu acabei colando mais com o pessoal da Menace, que também estava filmando na mesma época. O Sócrates também tava junto e então eu já tinha uma parte inteira pronta. Depois que o Goldfish (1993) saiu, e ficou muito bom, eu realmente senti que eu tinha perdido uma oportunidade com aquilo e eu não queria que acontecesse de novo. Então eu garanti que não acontecesse.

Se você tivesse ficado na Blind...

(Interrompe) Peraí. Eu realmente quero falar sobre isso porque é muito importante pra mim. Algumas pessoas acham que isso é um plano meu ou uma espécie de estratégia, sabe o que quero dizer? Tipo: “Tá bom, você gosta de ficar sumidão por alguns anos e aí volta e faz uma parte boa de vídeo e depois some de novo por mais alguns anos”. Esse não é o caso. São coisas da vida. Não é um plano nem nada de mais.

Qual foi o maior período de tempo que você ficou sem andar de skate?

Essa última vez. Acho que foram mais de 5 anos. Quer dizer, eu sempre estou com um skate montado e uso como transporte ou ando de vez em quando na mini ramp... Mas sim, esse foi o maior período longe. Nesse período eu viajei achando que ia andar de skate de novo e tirar fotos com o Atiba (Jefferson) por uma semana. Mas na boa, eu tava fora. É foda. A pior coisa em ser um skatista é olhar pra trás e pensar: “Merda, eu perdi tantas coisas por não estar andando”. Não só coisas materiais como: “Pô, eu queria ter um carro como o do Koston ou uma casa como a do Rick”. É mais como perder por não estar mais fazendo parte do skateboard, não ser mais uma parte do skate. Eu me privei de ter oportunidades de me divertir andando de skate.

O que manteve você longe do skate?

Eu acho que eu apenas tinha muitas distrações. Eu era minha maior distração, ficando com preguiça ou pensando: “Ah, amanhã eu ando. Hoje eu vou só zoar, dar uma descansada”. Aquele estilo de vida continuou até que eu me tornei escravo dele. Skate é um esporte difícil cara. Ainda mais hoje em dia, a galera não tá de sacanagem não (risos). Eu acho que você até pode achar que vai ficar andando só de vez em quando e continuar andando que nem você andava, mas por pouco tempo. Eventualmente o skate vai começar a notar isso. Os moleques percebem rapidinho. Aí a indústria começa a notar também e de repente você está nessa triste situação em que precisa fazer tudo, mas pelas razões erradas.



“A pior coisa em ser um skatista é olhar pra trás e pensar: “Merda, eu perdi tantas coisas por não estar andando”. Eu me privei de ter oportunidades de me divertir andando de skate.”


“Quando você começa a ser afetado mentalmente, fisicamente e financeiramente, você deve começar a pensar no que você está fazendo”.


O que você diria a alguém interessado em drogas?

Quando não for mais divertido, dá um tempo. Cada um é diferente. Talvez algumas pessoas precisem experimentar por elas mesmas. Cada um é conectado de uma maneira diferente, então existem algumas pessoas que podem fazer o que elas quiserem que isso não vai afetá-las. Mas quando você começa a ser afetado mentalmente, fisicamente e financeiramente, você deve começar a pensar no que você está fazendo.

As drogas começaram a te afetar nesses aspectos?

Bom, ficar saindo com um pessoal negativo é uma coisa que você meio que tem que acordar e sair fora. E eu realmente não quero falar sobre minhas finanças.

Com que idade você pisou pela primeira vez em um skate?

Eu cresci no Vale San Fernando, numa área agradável do subúrbio. Todo mundo no quarteirão tinha bicicletas, skates e rampas. Minha irmã tinha um skate antes de eu nascer. Eu tinha uns 5 anos quando comecei. Acho que o primeiro skate que eu tive era como se fosse saído do vídeo Dogtown And The Z-Boys – um skate de plástico estilo bananão. Meu primeiro skate “skate” mesmo foi um da Toys “R” e era um modelo do Michael Jackson, Thriller (risos). Naquela noite eu andei de skate na frente da minha casa até tão tarde que eu acabei esquecendo ele no quintal e ele foi roubado na manhã seguinte.

Qual foi a coisa mais engraçada em estar no SK8 TV?

Provavelmente foi na primeira vez que fui assistir ao filme Pânico e vi que o ator que apresentava o show atuava no filme. Na verdade ele deve ter virado uma grande estrela – vai saber? Mas o SK8 TV – que foi feito pelo Stacy também – era muito à frente de seu tempo. Quer dizer, era como o Fuel TV e os X-Games de agora.

Em que skatista você mais se espelhava no início?

Bom, quando eu tava começando era o Gonz e o Natas Kaupas. Eles eram os principais. Antes deles era o Tommy Guerrero e a Bones Brigade. Acho que o primeiro vídeo da Powell que assisti foi o Future Primitive (1985) e, depois, o Animal Chin (1997).


Você sempre foi atraído pelo street skate, desde o começo?

Na verdade não. Eu andava de street mas a gente tinha um vert perto da minha casa e eu me amarrava no Tony Hawk e tal. Eu tentava andar em tudo. Eu meio que sonhava em ser um profissional de vert. Eu ainda quero mandar um McTwist. Eu sempre andei de vert esporadicamente. Quando a gente tinha o vert na Girl, mandar uns aéreos de 3 metros de altura me parecia insano! Manobras de borda, tipo crooked grind, eu consigo visualizar como se fosse mandar numa borda mais alta, em cima de uma transição. Agora, aéreos mesmo, aí já é outra história.

O que fazia o Keenan Milton ser tão diferente dos outros?

O que o Keenan colocou à mesa foi o seu estilo clean e a sua personalidade. Ele era um desses caras que sempre quer fazer as coisas melhorarem. Ele mandava uma manobra e eu dizia: “Essa foi perfeita”, mas ele continuaria dizendo: “Nem, eu quero mandar ela melhor”. Até com suas roupas. Ele queria aparecer bem quando tava mandando suas linhas. Ele tinha uma mente aberta, era apenas um cara pra cima que você podia ir pra qualquer lugar com ele. Nas viagens, ele sempre encontrava milhares de pessoas toda hora por causa da sua personalidade extrovertida. Ele fez da vida uma festa. Ele iluminava qualquer ambiente. Eu me lembro dele fazendo contato com as pessoas, que nem em uma viagem à Austrália em que ele conheceu o Dustin Dollin, voltou pra casa e acabou indo pra lá de novo pra ficar dois meses. Ele podia simplesmente se conectar com as pessoas mesmo elas não sendo exatamente o tipo de pessoa que você esperaria que ele se conectasse.

O que faz da Girl diferente?

O que separa a Girl das demais é algo como se fosse um aspecto da vida – toda marca tem sua própria identidade. E a identidade da Girl é uma que eu acho que se destaca das demais. O Rick tenta manter as coisas o mais “família” possível, o que pode se tornar mais difícil conforme o tempo vai passando porque você vai tendo skatistas que vão se acomodando, sem produzir. É como qualquer família. Você sempre tem um ou outro problema.

Como você se sentiu quando eles pararam de vender o seu pro model?

Mal. Mas eu posso entender perfeitamente por que eles fizeram isso. Quer dizer, eu não estava andando de skate. Eu não estava ajudando a marca. Eu mereci isso. E foi foda. E é foda pro Rick porque um dia ele teria que aplicar aqueles princípios a ele mesmo e a muitos outros em que ele realmente se preocupa. Mas eu estava a par de que eu não estava sendo produtivo para a marca.

Fora os 360 kickflips, tem alguma outra manobra básica em que você trava?

Eu nunca mandei um nollie heelflip na vida. O engraçado comigo é que eu mando as manobras. Aí, de repente, eu simplesmente não consigo mandar elas por um tempo. Eu não sou aquele tipo de cara que fica praticando a mesma manobra toda hora. Eu vou andar de skate com o Mike Mo (Capaldi), ou qualquer outro, e as vezes a gente sai do carro e ele manda: “Quer brincar de SKATE?” E eu falo: “O quê? Tá maluco?” Alguns dias eu pilho. Eu me surpreendo com manobras de solo. Mas outros dias eu me sinto como o Gator quando ele tá tentando andar de skate naquele documentário (risos).


“Eu não estava andando de skate. Eu não estava ajudando a marca. Eu mereci isso”.


“Eu não planejei isso como um retorno. Eu só tô andando de skate”.


O que você considera sua maior conquista no skate?

O que me deixa mais feliz no skate – embora eu tenha ficado entrando e saindo disso – é a longevidade e a possibilidade de ainda poder surpreender. Eu conheci tantos skatistas animais que não estão mais aqui. Eles vieram e se foram, e eu só me sinto abençoado por ainda estar dentro e acrescentando algo. Tantos vieram e se foram antes da hora. Qualquer coisa boa que eu possa contribuir eu já considero como uma grande conquista.

Qual foi o último campeonato que você participou?

Bom, a gente costumava participar de todos e gostar disso quando éramos crianças. Mas eu realmente não consigo me imaginar entrando num campeonato hoje em dia. Tipo, eu fui nos últimos X-Games e vendo todos aqueles caras andando, eu tava seriamente como um fã. Eles são o melhor do melhor. Quer dizer, eu veria o Chris Cole mandando uma linha de campeonato como se fosse uma sessão de vídeo. Paul Rodriguez – eu vi ele lá. Eu só ficava: “Uau”. Foi maravilhoso.

Qual foi a coisa mais estranha que o Mark Gonzales já te contou?

Eu não sei ao certo. A última vez que eu o vi a gente tava na frente da Girl e ele tava com um skate muito largo e um normal, e ele tentava falar sobre uma manobra, algo estranho como um body varial flip que você nem consegue imaginar. Mas se tem uma coisa sobre o Mark, é que mesmo a um tempo atrás ele ficava toda hora dizendo coisas como: “Sabe os frontside noseslides? Eu quero mandar um deslizando uns 5 metros de distância”. E eu pensava: “Beleza, esse cara surtou de vez”. E aí alguém vai e manda uns 5 anos depois. Ou com os frontside noseblunt slides. Me lembro dele me dizendo que ele queria tentar uns e eu ficava meio assim: “É, eu não sei se a galera vai se amarrar nisso”. E de novo pensava: “Agora sim ele surtou”. Mas agora, não importa o quão corrida a manobra que ele me disser seja, ou que ele me diga algo do tipo e eu pense que ele enlouqueceu, eu não vou saber se ele pode estar certo (risos). Talvez qualquer coisa que ele fale agora possa se tornar a próxima “sensação”.



Seria justo chamar isso tudo de um retorno?

Não cara. As pessoas podem achar o que elas quiserem. Mas eu não planejei isso como um retorno. Eu só tô andando de skate. E é trabalho pesado. Skate é difícil, e eu tô me esforçando no que eu preciso. Mas eu apenas acordei de um lugar que eu não queria estar e estou voltando pra onde eu quero estar. É apenas minha vida. E isso é tudo o que pode ser.




10 comentários:

Renan disse...

muito kbeça entrevista menera! , mas na hora q ele falou q skate é muito dificil e que tem q c dedicar eu pensei logo na gente q por mais q seji muito mais dificil skate para nós em qualquer termo, agente continua c esforçando até dizer chega e nossos mesculos e mente estaren cansados, lembrando q o tema aqui é o Guy mariano e não os petropolitanos.... mas o cara ta sumido mas é bom saber q continua c divertindo no skate lá.

Renan disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

do caraio mano
se voce conseguisse colocar a revista pra gente baixar ia ser loco !

Túlio Thales disse...

Cara, muito boa a tradução... vc fez um grande favor ao skate nacional... mariano é mais que é uma referencia em todos os aspectos...

Tentei pegar o email de vcs e não consegui, moro em Sete Lagoas e ando de skate a uns treze anos, tinha um cara de petropolis que morou aqui um tempo, ele dava uns rolês com a galera, escreveu até um zine... usavamos muitos apelidos na epoca e não me lembro bem o dele...

mas no mais... queria perguntar ao Stuart onde compro desses shapes em branco, gostei demais... se tiver como ele me dar uns toques vou deixar meu email: tulio@golbe.com.br

valew aí e continuem com o blog... certamente o mais puro skate ta aqui... o resto que se veem no brasil é baboseira....

shadow disse...

Ó_o eita...sobre isso nem vou comentar nada pq o assunto eh a entrevista que ficou muito bem traduzida Eduardo,mais po...tu tava com tempo livre ou queria postar algo no blog mesmo??? ^^
abraço aí

shadow disse...

po...agora q eu reparei que tu fez umas mudança no blog como tinha me dito e tal...(hahahha ñ me zoa de tapado pq soh ñ prestei atençaum XD )

mais aí Eduardo,vida Longa ao teu blog haha

Mauricio Nava disse...

simplismente sensacional esta entrevista!!
ja li varias vezes e identifikei com muita coisa, essa entrevista é uma das primeiras que dá vontade de andar de skt sem ver nada de imagem!!
era disso, bom exemplo pra revistas nacionais tentarem fazer entrevistas mais abertas, sem papas na lingua sacoé, logico q tudo depdendo do entrevistado né, mas e sempre bom falar tudo e contar boas historias, isso é muito legal!!
falow vcs estão de parabens!!
agora ve se traduz a entrevista do HASLAM, DAWEON, MULLEN, DANY GONZALES e por ai vai, se fizer assim pago ate assinatura nisso aki kkkkkkkkkkkkk!!
falo peace

stuart disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Stuart disse...

Valeu pelo incentivo galera! Assim que der coloco mais coisas aí pra entreter os momentos em que não estamos andando de skate!

Descrição disse...

Irmao..parabens pela reportagem, pois só um skatista com cultura suficiente poderia, chegar a este resultado...e falando do guy mariano, o cara é muito figura hehehe..e pude perceber que o senso de umor dos skater dos 80 é foda mesmo. O que ele falou sobre as DRUGS foi otimo, e sobre o M.Gonzales hhehheee..qual será a proxima loucura da session?